terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Tratado de Lisboa

Entrou finalmente em vigor o novo Tratado da U.E.
Muitas duvidas ensombram o mesmo.
Em primeiro lugar a forma como foi construido e aprovado pelos diversos países. Se a ideia é construir um Europa unida o Tratado tem concessões em demasia, clausulas de salvaguardapara a maior parte dos países e uma representatibilidade díspar.
Em segundo lugar coloca os órgãos de relações internacionais numa posição de inferioridade, uma vez que as suas posições poderão não ser consideradas como as de 27 países mas apenas de meia dúzia que continuam a liderar a construção europeia.
Por ultimo, e para não massacrar em demasia, a UE fica como que uma ONU da Europa, em que alguns países têm politicas comuns nos ramos económicos e sociais. Não há avanços em termos militares e de defesa, o que realmente dá uma voz de força aos países (EUA, Rússia, China, Israel, Irão...).
Vamos continuar a ver quando alguém se chateia e manda a UE ás urtigas, basta que as tendências de extrema direita ou esquerda assumam poder num dos países. E já faltou mais...
A minha ideia continua a mesma, a organização europeia é uma necessidade, mas nunca deve tocar a soberania da cada país.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Aumento de impostos

Pois é, a crise parece estar a dar sinais de abrandar. O consumo das famílias está a aumentar, o desemprego começa a dar sinais de estabilização e acima de tudo a confiança dos cidadãos está cada vez melhor.
Mas não é para muito tempo.
Hoje noticias revelam que os Bancos Centrais português e espanhol deixaram no ar perspectivas de aumento de impostos...
Sim, leram bem, aumento de impostos...
O maior dos problemas é que o aumento é certamente no IVA ou no IRS, isto é, aqueles que mais entram no bolso de quem trabalha...
Pensando mais na realidade portuguesa temos um défice de 8% conseguido graças às fantásticas medidas do governo nos casos BPN e BPP, aos apoios desajustados às PME e sobretudo devido ao seguir me frente com projectos inúteis, mas que enchem os bolsos a alguns... Mas vão sempre aos bolsos dos mesmos!
Vais assim o socialismo. Aqueles que acreditavam que um pouco de esquerda era bom os meus sentidos pêsames!!!

terça-feira, 28 de julho de 2009

MST

O Miguel Sousa Tavares é uma daquelas personagens a que vale a pena prestar atenção… Mesmo que não se concorde com a sua ideia ele defende-a de uma forma muito lógica e aguerrida. Esta é uma citação daquilo que ele escreveu no Expresso, na sua coluna de opinião. Trem as vossas ilações…

“Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém! “

terça-feira, 23 de junho de 2009

Desilusão

As pessoas têm a sábia arte de me desiludir.
Pensando melhor a desilusão é sempre provocada por nós. A nossa forma de encarar a vida , e tudo que ela encerra, é que é tão errada que permite que a desilusão seja um sentimento que ciclicamente surja.
Como um bom gestor, desculpem mas não tenho paciência para falsas modéstias, tenho de saber analisar friamente os prós e contras, encontrar os erros e corrigi-los.
O grande problema é que estamos a falar de um acumular de vivências que nos transforma naquilo que somos. Não foi a educação materna que me faz hoje distinguir o bem do mal, o certo do errado, pode ser a base de tudo, mas o que fui colocando em cima dessa base é que cimentou a construção da minha própria pirâmide do ser.
Viver desta forma e encarar cada situação do quotidiano assim faz-me pensar que, passados 30 anos, deveria ser uma pessoa mais dura, menos sociável, menos honesta e mais rude. Evidentemente que essa transformação é não só impossível como desnecessária. O melhor é criar mecanismos de defesa, pensando que nas próximas décadas vou continuar a ter de viver mais desilusões, suportando-as como posso e ultrapassando-as sempre com vontade de viver.
Está então encontrada a solução... Ser mais forte e estar preparado para todas as desilusões que se seguem.
Tenho a certeza de uma coisa: amanha vou acordar com a mesma vontade de ser feliz.

domingo, 22 de março de 2009

Há coisas lindas...

Freeport

Mais um caso típico...
Grande cobertura jornalística, noticias bombásticas a fazer manchetes, opinion makers aos saltos...
Até agora apenas foram apurados factos menores, indiciados alguns intervenientes, que tudo indica serem actores secundários de uma novela que, mais uma vez, vai ter final feliz, com um casamento em grande entre a lei e os prevaricadores.
Se alguém descobrir a justiça, personagem desaparecida da cena, que a devolva por favor para um final diferente.