segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Limpeza étnica

O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. "Perdi tudo!" "O que é que perdeu?" perguntou-lhe um repórter. "Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem..." Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos autodesalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que "até a TV e a playstation das crianças" lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos". Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - "ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos." A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e autodenominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.
Texto de opinião publicado em semanário nacional e da autoria de Mário Crespo, conceituado jornalista.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Portugal está a saque

Um grupo de responsáveis cidadãos decidiu interromper o seu trabalho em protesto contra algumas decisões governativas. Nada de mais natural num país livre e democrático, excepto se a essa paralisação se juntarem greves de patrões (lock out), piquetes de greve e falta de informação prévia de greve.
Para piorar a situação o governo não comentou, as autoridades foram aconselhadas a não ligar e o cidadão comum viu-se privado de liberdade de circulação, bem como de alguns bens essenciais que entretanto foram acabando nos hipers, gasolineiras, etc.
Porque não actuaram as autoridades? Resposta simples…. Motivos eleitorais… Eu quase que tinha de ir para o trabalho a pé almoçando apenas uma lata de atum porque há falta de coragem governativa. Pior. Criou-se um precedente, como não existiu intervenção policial para repor a ordem qualquer outra classe descontente pode agora livremente encerrar o país porque não vai sofrer represálias….
O país está a saque!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Hienas

No mundo animal são conhecidos pelas suas capacidades natas em roubar a refeição a outros carnívoros, os humanos gostam de colocar este epíteto a quem se quer aproveitar de uma qualquer situação.
Neste território à beira mar abandonado chegou um odor a poder aos distintos membros do PSD.
A governação tem sido muito contestada pela população, várias classes sociais se levantaram numa única voz de protesto e a oposição politica é muito fraca.
È normal que uma personalidade com algum carisma e capacidade oratória se consiga nesta fase impor num cenário de eleições próximas.
Essa percepção é partilhada pelos núcleos do PSD que elegeram o Sr. Menezes para que este servisse de carne para canhão, indo a eleições legislativas e perdendo rotundamente. De facto há fortes possibilidades de vitória do centro-direita caso exista um líder capaz.
Então, pensaram alguns dos pretensos candidatos a lideres na época pós-legislativas de 2009, vamos atacar agora, liderar desde já e vencer…
È muito fácil de pensar assim, aliás, já parecia um bocado mal a governação interna do Sr. Menezes… Opiniões diferentes para públicos diferentes, duas declarações divergentes no mesmo dia… Vazio de ideias… Ataques pessoais vergonhosos. Um Dom Quixote muito bem escudado pelo seu fiel Esteves “Não Sei Muito Bem Como Aquele Tipo Ali Foi Parar”.
Agora os militantes vão novamente escolher à pressa uma nova direcção. E quem, diabo se candidatou? Será que têm capacidade ou apenas sede de poder? Opino que é a “Bruxinha do Tostão” a vencedora, o que equivale a dizer mais do mesmo… Em segundo ficará o “Palyboy Ex-Primeiro” e em terceiro a única possível cara nova do partido e o forte candidato a líder em 2009/2010.
Há mais 2 candidaturas insignificantes e o candidato que não chegou a se-lo (ainda bem) Alberto João (era o fim da picada).
Gosto de salientar que caso não existisse hipótese de vitória o partido continuaria na mesma, esperando um D. Sebastião que o salvasse.
Nunca escondi a minha simpatia pelo centro-direita, mas devo referir que à princípios que devem ser orgulhosamente mantidos, pelo que até acho bem que tenham tirado o tapete ao Menezes, mas não de uma forma cobarde e através da imprensa, sem que os ditos notáveis (D. Manuela, há-os e existiram sempre) enfrentassem a liderança vigente cara-a-cara. É muito fácil fazer politica paga pelas TV’s e jornais. Não passam de hienas prontas para roubar o jantar de outros.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Nota final


QUANDO SE QUER INCENTIVAR O CONSUMO BAIXAM-SE OS IMPOSTOS DIRECTOS. ALGUM DE VOCÊS ESTUDOU ECONOMIA. BURROS.

Mais vergonha

Assistimos nos últimos tempos à escolha de um novo CEO para o BCP, assistimos também uma vergonhosa guerra de acesso ao poleiro.
O Estado escolheu e elegeu quem quis para chefiar uma empresa privada, com o objectivo de poder assegurar a transferência do fundo de pensões do BCP para a SS. É necessário equilibrar as finanças públicas com essas injecções de capital…
O principal partido da oposição em vez de se colocar no seu papel e denunciar estes arranjinhos quis foi negociar a ida de um dos seus para o poleiro da CGD. Não foi ele que foi exonerado da TAP por fraca prestação? Agora vai mandar numa das principais empresas estatais!!!
E afinal o Banco de Portugal não analisou bem as contas dos anos anteriores e a CMVM também estava de olhos fechados, deixando o BCP efectuar movimentos de capital fraudulentos, proibidos e que influenciaram os seus resultados. Só mais uma pergunta: quem estava na CMVM na altura??? O actual Ministro das Finanças, o gajo louco que duvido que nem para administrar a dispensa lá de casa serve.
A moral e bons costumes é só para quem fica sem 40% dos rendimentos à espera que estes tipos nós dêem melhores condições de vida nesta chafarrica chamada Portugal.
Chega desta gentalha, deviam ser trocados por camelos, pelo menos esses produziam estrume!

Rua

Finalmente foi decidido o destino do novo aeroporto e finalmente vemos que há formas de em Portugal se escolher a melhor das opções.
Agora apenas um detalhe: O Sr. “Jamais” continua agarrado à cadeira? Também com aquele peso todo era preciso uma grua de muitas toneladas.
È VERGONHOSO. Em Portugal já foram demitidos Ministros por terem efectuado comentários jocosos, mas nessa altura ainda havia bom senso e VERGONHA NA CARA.
Não era apenas o Marito Lininho que devia ser afogado no Tejo, era a porcaria do executivo que está a controlar a distribuição dos nossos impostos pelos bolsos certos.
RUA!

FARTO

Quero manifestar a minha indignação com o estado doente da saúde na nossa terrinha. Então num país onde se vão gastar milhões a construir linhas de TGV, para poupar 20 minutos entre as 2 maiores cidades e para ligar as duas capitais ibéricas, quando as companhias aéreas low-cost se vão encarregar do serviço, por preços semelhantes e mesmo mais barato!
É que é uma confusão tremenda… Se eu estiver a morrer vem uma ambulância com os médicos Formula 1 para me socorrer, não +e que seja contra, mas se tiver uma dor de barriga a meio da noite sou obrigado a deslocar-me 35 km para me juntar a todos os doentes do distrito?
Qual é mais provável? A dor de barriga ou um qualquer ataque fulminante? E quando existirem mais casos graves que ambulâncias rápidas? Para que servem os Bombeiros? E os profissionais de saúde, não médicos, que são excedentes?
E o pior de tudo: E OS MEUS DIREITOS COMO CONTRIBUINTE?
Muito directamente senhores governantes: SOU EU E TIPOS COMO EU QUE PAGAMOS PARA VOCES ANDAREM A BRICAR COM O PESSOAL!
Chega. Chega. Chega. Está na altura de um novo 25 de Abril, mas desta vez sem cravos, com balas! Chega de incompetência, chega de apertar o cinto (só para alguns claro está), chega de andar ao sabor do mar europeu, chega de discursos ocos, chega de palavras bonitas, chega de enxovalhar os direitos das pessoas.
Declaro-me aqui disposto a atentar contra a segurança de todos esses filhos da mãe. Anarquia, extremismo, autocracia, mas não democracia podre.