quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Poder e confusão

A banca portuguesa continua num forte turbilhão… A começar foram as OPA’s e as propostas de fusão “amigável” dos 2 maiores bancos privados portugueses, operações bolsitas discutidas publica e antecipadamente na imprensa do país, com alguns accionistas a tentarem publicamente induzir os pequenos accionistas. A CMVM avisou e chamou a atenção dos envolvidos para a discrição necessária, característica dos negócios claros e limpos.
Não posso nem quero dissertar acerca do negócio em si, tem vantagens e desvantagens, é uma operação normal de mercado.
O momento que mais me chamou a atenção foi o debate na TV publica entre alguns dos accionistas nacionais dos 2 bancos, muito especialmente o momento em que o Comendador Berardo disse ao presidente do BPP que tivesse cuidado com a língua, pois os trunfos do madeirense eram de superior valor… Digno de qualquer discussão entre membros de uma qualquer associação de alcoólicos anónimos.
Agora, goradas as expectativas de fusão, temos 2 problemas:
- A credibilidade da banca que ficou manchada com a vinda a público de movimentos enormes de capital do BCP, em beneficio próprio e contra as regras contabilísticas e económicas, sem que o Banco de Portugal ou qualquer outra entidade reguladora se manifeste ou tome medidas;
- A divisão entre PS e PSD da presidência do BCP e da CGD, sendo esta divisão pública, do género come o bife mas deixa-me as batatas.
Qual a imagem que os portugueses têm neste momento do sector e dos seus intervenientes? Qual o grau de confiança dos pequenos investidores nestas empresas? E os clientes? E os colaboradores que parece que têm de vender a alma ao diabo para fazer parte das instituições mas vêm essa a cair na lama? Qual o papel do Estado e do Banco de Portugal no meio disto tudo? E os analistas europeus? E os concorrentes mundiais do sector, que comparam isto tudo a uma qualquer mercado de fruto tropical da América Latina?
Só a titulo de exemplo: Emilio Ybarra eoutros 4 ex-administradores do BBVA encontram-se detidos desde 2005 por movimentos ilícitos do banco e pessoais, tendo a Instituição sofrido um enorme choque do qual ainda não recuperou totalmente.
Países diferentes, realidades diferentes… Só o pobre tem valores, provavelmente é por isso que continua pobre.

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