terça-feira, 22 de maio de 2007

Lisboa/Eleições/Ota(rios)

Só quem já se perdeu nas artérias lisboetas sentiu uma brisa da Lisboa profunda, da velha capital imperial, do único património realmente universal presente em Portugal.
O pouco tempo por lá passado deixou saudades, especialmente dos passeios independentes, despreocupados e soltos pela zona histórica. Os habitantes não são brejeiros como os portistas, não têm um sorriso aberto como os minhotos e nem sabem receber como os transmontanos, mas a cidade consegue disfarçar a sua incúria em receber quem fala português!
Um fado em Alfama, acompanhado com tinto e sardinha assada, um café na Brasileira ou no Nicola, um pastel em Belém, enfim, mil e um programas de agradável timbre e altamente sugestivos são possíveis de sugerir ao comum dos mortais.
Agora a cidade volta a estar em voga, com a campanha eleitoral, é claro, se hoje ainda não se sabe se o cromo do Carmona é candidato (eu arrisco que não, deve ter pelo menos uma pessoa com juízo em casa), temos colocados na grelha de partida meia dúzia de candidatos de caca, acompanhados por séquitos ansiosos de tacho à custa de quem trabalha. António Costa arriscou demais, fez a lei e agora vai tentar governar com ela (é como dar o nó na corda e por lá o pescoço), Negrão vai ter tarefa difícil, mas está destinado a perder (o Mendes é que não teve muita vontade de ir a eleições, mas ele vai cair do alto do seu meio metro!), Ruben de Carvalho é mais um (um calhau da Rua Augusta teria os mesmos votos), o Sá Fernandes vai andar a dizer a toda a gente que o antigo executivo camarário caiu por culpa dele (credível porque a luva do nabo do Névoa era tamanho S, ele usa tamanho XL, não se vê que são precisas 2 TV’s para o ver a corpo inteiro?), o copinho de leite do Telmo Correia vai disputar o ultimo lugar do pódio com a Helena Roseta, para além do titulo de “Este diz cada asneira” da campanha, não descurando a inteligência politica da Sra., mas não tem perfil para andar à caça ao voto nos lares, creches, escolas, mercados e outros locais onde o pobre cidadão não tenha oportunidade ou forma de fugir aos tipos.
Mas estas eleições ainda têm mais um inconveniente, a data!, quem é que se lembra de marcar eleições a meio de Julho? Só se abrirem as urnas nos Parques de Campismo perto das praias da Costa Vicentina e Algarvia!
Deviam ser só em Setembro, assim haveria tempo suficiente para os candidatos começarem a discutir a fundo os problemas da Capital e especialmente um que nos interessa a todos: o novo Aeroporto….
A ver vamos quem sobrevive, mas arrisco que vão ter de dividir o poder por umas quantas mãos, o que até é bom, pois muitas cabeças daquelas a pensar sempre deverão dizer uma coisita com jeito de vez em quando…. Tipo no Natal!
Por isso lisboetas atenção, vocês são peça fundamental na decisão de construir ou não um Elefante Branco (novo???)….

domingo, 13 de maio de 2007

Fátima

Assistimos hoje a mais uma prova da imensa capacidade de mobilização que Fátima tem.
Só estive lá 2 vezes e a sensação com mais relevo que trouxe de lá foi apenas uma…. Grande negócio!
A Igreja arrecada para os seus cofres milhares, o comércio desregulado sobrevive graças à fé de alguns…. e mais uma vez os princípios da “nossa” fé são postos em causa.
Onde está a crença baseada no amor entre os seres, entre as civilizações, o respeito pelo semelhante, a mensagem passada por todos os que viveram uma experiência “miraculosa” ligada à fé? De certeza que estes princípios que deveriam ser respeitados, transmitidos e praticados estão submersos e subjugados pelos princípios economicistas que a pequena aldeia de Ourém adjectiva.
Quem dominar aquela multidão, juntamente com aqueles que desejavam estar lá pelo meio domina o país. E o povo procura um guia…. É necessário para qualquer rebanho um bom pastor!

Alone

Para descrever um estado de espírito com toda a veracidade é necessário estar devidamente concentrado na identidade do nosso ser.
A conclusão a que chego é que sou um solitário. Não gosto da companhia de qualquer pessoa em qualquer momento. Há determinados momentos em uma sala vazia é sem dúvida nenhuma o melhor local para estar, ou então, uma imensa multidão desconhecida, num qualquer local público…. São as antíteses do meu ser, com as inconstâncias de humor e de estado de espírito.
É verdade que as relações interpessoais são mais valorizadas num contexto laboral que no contexto pessoal… Adoro a companhia dos meus amigos, mas se estiver num grupo estranho, com uma conversa chatinha quero é fugir dali rapidamente.
Talvez seja por isso que estou cada vez mais viciado no trabalho, e me sinta “realizado” quando atinjo os objectivos traçados no curto prazo. Talvez fosse melhor encontrar um trabalho mais ambíguo, mas envolvente, que servisse como um despertador para as minhas capacidades, pois a preguiça mental é muito pior que a física. Espero desafios e vivo ao encontro deles!